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Um reflexo que se espalha

Basta ver, ouvir ou até ler sobre bocejo para dar vontade. Você talvez tenha bocejado lendo esta frase. O bocejo contagioso é diferente do bocejo de sono: ele é disparado pelos outros.

Leia também: O que é déjà vu e por que acontece, segundo a ciência e Por que não conseguimos fazer cócegas em nós mesmos.

O que um estudo com adultos observou

Ivan Norscia e Elisabetta Palagi observaram bocejos em situações do dia a dia e publicaram os resultados na PLoS ONE. O contágio foi mais frequente e mais rápido entre familiares, depois entre amigos, depois entre conhecidos, e menor entre desconhecidos. Para os autores, o padrão acompanha o laço emocional, o que reforça a ligação entre bocejo contagioso e empatia.

Fonte: Norscia e Palagi, Yawn Contagion and Empathy in Homo sapiens, PLoS ONE, 2011.

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Por que isso existiria

Uma hipótese é que o contágio ajudaria grupos a sincronizar estados, como o momento de descansar. A ligação com empatia não significa que quem não boceja junto seja frio: o contágio varia muito entre pessoas e situações.

Afinal, para que serve bocejar?

A ideia de que bocejamos por falta de oxigênio é antiga, mas não tem boa sustentação. Uma hipótese mais recente é a de que o bocejo ajuda a resfriar o cérebro. Andrew Gallup e Gordon Gallup mostraram vídeos de bocejos a voluntários: quem respirava só pelo nariz ou estava com uma compressa fria na testa bocejou menos por contágio do que quem estava com compressa morna ou respirava pela boca.

Os autores veem nisso um sinal de que a temperatura influencia o bocejo. É uma hipótese com algumas evidências, não uma explicação fechada.

Fonte: Gallup e Gallup, Yawning as a Brain Cooling Mechanism, Evolutionary Psychology, 2007.

Quando o contágio começa

Bebês bocejam desde antes de nascer, mas o bocejo contagioso aparece mais tarde. Um estudo publicado na Child Development observou que ele é raro em crianças muito pequenas e se torna mais frequente por volta dos 4 anos, quando as crianças passam a entender melhor o que os outros sentem.

O contágio também foi registrado em chimpanzés, em estudo de 2004 que mostrou vídeos de outros chimpanzés bocejando.

Fonte: Helt e colegas, Contagious Yawning in Autistic and Typical Development, Child Development, 2010.

Fonte: Anderson, Myowa-Yamakoshi e Matsuzawa, Contagious yawning in chimpanzees, Proceedings of the Royal Society B, 2004.

E os animais?

Há registros de bocejo contagioso em outros animais, incluindo cães que bocejam depois dos donos. Veja por que cães parecem entender nossas emoções.

Conteúdo informativo. Não substitui orientação médica, financeira ou profissional individualizada.

Leia também: Por que sentimos frio na barriga quando estamos nervosos.

Fontes

  1. Norscia I, Palagi E. Yawn Contagion and Empathy in Homo sapiens. PLoS ONE, 2011. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0028472
  2. Gallup AC, Gallup GG. Yawning as a Brain Cooling Mechanism. Evolutionary Psychology, 2007. https://doi.org/10.1177/147470490700500109
  3. Helt MS et al. Contagious Yawning in Autistic and Typical Development. Child Development, 2010. https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.2010.01495.x
  4. Anderson JR, Myowa-Yamakoshi M, Matsuzawa T. Contagious yawning in chimpanzees. Proceedings of the Royal Society B, 2004. https://doi.org/10.1098/rsbl.2004.0224

Perguntas frequentes

Por que bocejamos quando alguém boceja?

O bocejo contagioso parece ligado a mecanismos sociais e de empatia; é mais comum entre pessoas próximas.

Quem não boceja junto tem menos empatia?

Não. O contágio varia muito de pessoa para pessoa e de situação para situação.

Ler sobre bocejo dá vontade de bocejar?

Muita gente relata que sim; ver, ouvir ou pensar em bocejos pode disparar o reflexo.

Bocejar esfria o cérebro?

É uma das hipóteses mais estudadas, com alguns experimentos a favor, mas ainda não há consenso sobre a função do bocejo.

Bebês bocejam por contágio?

É raro. O bocejo contagioso costuma aparecer e aumentar a partir dos primeiros anos da infância.

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