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A sensação que todo mundo conhece

Antes de uma prova, uma entrevista ou um encontro, a barriga parece reagir primeiro. A expressão "borboletas no estômago" tem base real: o sistema digestivo responde ao que o cérebro sente.

Leia também: O que é déjà vu e por que acontece, segundo a ciência e Por que o bocejo é contagioso.

O eixo intestino-cérebro

Uma revisão publicada na Nature Reviews Neuroscience descreve a comunicação nos dois sentidos entre cérebro e intestino, por nervos como o vago, hormônios e o sistema imunológico. O estresse altera o funcionamento do intestino, e sinais vindos do intestino também influenciam o cérebro.

Fonte: Mayer, Gut feelings: the emerging biology of gut–brain communication, Nature Reviews Neuroscience, 2011.

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O que acontece no nervosismo

Na reação de alerta, o corpo desvia energia para músculos, coração e respiração. A digestão fica em segundo plano, o que pode trazer aquela sensação de vazio, aperto ou enjoo. É uma resposta normal e passageira.

Quando a ligação entre intestino e cérebro vira sintoma

Para a maioria das pessoas, o frio na barriga passa junto com o nervosismo. Em algumas, porém, a comunicação entre intestino e cérebro fica sensível demais. A medicina hoje chama esse grupo de problemas de distúrbios da interação intestino-cérebro, e a síndrome do intestino irritável é o exemplo mais conhecido.

A revisão que embasa os critérios de Roma IV, usados por gastroenterologistas no mundo todo, descreve como o estresse, a sensibilidade do intestino e a forma como o cérebro interpreta esses sinais se combinam para produzir dor e desconforto reais, mesmo sem uma lesão visível nos exames.

Fonte: Drossman, Functional Gastrointestinal Disorders and Rome IV, Gastroenterology, 2016.

Um jeito simples de acalmar o corpo

A respiração é uma das poucas partes da reação de alerta que dá para controlar. Na respiração diafragmática, o ar entra pelo nariz e a barriga, não o peito, se expande. Depois, a expiração sai devagar, um pouco mais longa que a inspiração.

Em um estudo com adultos saudáveis publicado na Frontiers in Psychology, quem praticou esse tipo de respiração ao longo de oito semanas teve menos emoções negativas, melhor atenção e níveis mais baixos de cortisol, o hormônio do estresse, do que o grupo que não praticou.

Fonte: Ma e colegas, The Effect of Diaphragmatic Breathing on Attention, Negative Affect and Stress in Healthy Adults, Frontiers in Psychology, 2017.

Quando vale atenção

Desconforto frequente, dor, diarreia ou mudanças no intestino que não passam merecem avaliação médica. Veja também sinais de ansiedade no corpo.

Conteúdo informativo. Não substitui orientação médica, financeira ou profissional individualizada.

Leia também: Sonhar com cônjuge.

Fontes

  1. Mayer EA. Gut feelings: the emerging biology of gut–brain communication. Nature Reviews Neuroscience, 2011. https://doi.org/10.1038/nrn3071
  2. Drossman DA. Functional Gastrointestinal Disorders: History, Pathophysiology, Clinical Features, and Rome IV. Gastroenterology, 2016. https://doi.org/10.1053/j.gastro.2016.02.032
  3. Ma X et al. The Effect of Diaphragmatic Breathing on Attention, Negative Affect and Stress in Healthy Adults. Frontiers in Psychology, 2017. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2017.00874

Perguntas frequentes

Por que a barriga reage ao nervosismo?

Cérebro e intestino se comunicam o tempo todo; o estresse muda o funcionamento do sistema digestivo.

Frio na barriga é ansiedade?

É uma reação normal a situações de expectativa. Se for frequente e intensa, vale conversar com um profissional.

O intestino influencia o humor?

A pesquisa mostra comunicação nos dois sentidos, mas ainda há muito a entender.

Respirar fundo ajuda no frio na barriga?

Pode ajudar. Respirar devagar, usando o diafragma, é uma forma de acalmar a reação de alerta, e estudos mostram efeito sobre o estresse com a prática regular.

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