Intolerância não é alergia
Alergia alimentar envolve o sistema imunológico e pode causar reações graves, como inchaço na boca e falta de ar. Intolerância costuma envolver a digestão: o corpo tem dificuldade de processar um componente do alimento e reage com gases, estufamento ou diarreia. A diferença importa, porque alergia exige cuidado médico imediato.
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O exemplo mais comum: lactose
Segundo o NIDDK, instituto de saúde dos Estados Unidos, os sintomas da intolerância à lactose costumam aparecer de 30 minutos a 2 horas depois de consumir leite ou derivados: estufamento, gases, diarreia, enjoo e dor abdominal. Muitas pessoas com dificuldade de digerir lactose toleram pequenas quantidades sem sintomas.
O diagnóstico pode ser feito por um médico com base no histórico e, quando necessário, com exames como o teste do hidrogênio expirado.
Fonte: NIDDK, intolerância à lactose.
Como observar sem gastar
O primeiro passo não custa nada: um diário alimentar por duas ou três semanas. Anote o que comeu, a quantidade, o horário e qualquer sintoma nas horas seguintes. Padrões aparecem com o tempo, e esse registro ajuda muito na consulta.
- Anote também sono, estresse e remédios, que mexem com o intestino.
- Não corte vários alimentos por conta própria ao mesmo tempo: isso dificulta descobrir a causa e pode desequilibrar a alimentação.
- Qualquer exclusão prolongada deve ser feita com orientação de médico ou nutricionista.
Outras causas para os mesmos sintomas
Estufamento e diarreia também aparecem em síndrome do intestino irritável, doença celíaca, infecções e efeito de remédios. Por isso o diário é ponto de partida, não conclusão. Veja também açúcar escondido nos alimentos.
Intolerância não é alergia, e isso muda tudo
O serviço de saúde britânico explica a diferença de forma direta: a intolerância alimentar não envolve o sistema imunológico, costuma depender da quantidade ingerida, aparece horas depois e, embora atrapalhe muito a vida, não provoca reação grave. A alergia alimentar envolve o sistema imunológico, pode surgir com traços do alimento e em minutos, e pode ser grave.
No caso mais comum, a intolerância à lactose, o instituto americano NIDDK explica que ela acontece por produção insuficiente da enzima lactase, e que muita gente tolera pequenas quantidades, principalmente junto de outros alimentos.
Fonte: NHS, intolerância alimentar.
Fonte: NIDDK, intolerância à lactose.
Cuidado com o teste que promete listar 200 alimentos
Os exames de IgG para alimentos, vendidos como mapeamento de intolerâncias, são desaconselhados pelas entidades de alergia. A Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia afirma que a presença de IgG contra um alimento indica exposição a ele, e não doença, e que o teste não deve ser usado para diagnosticar alergia ou intolerância.
O resultado prático de usar esse tipo de exame costuma ser uma dieta desnecessariamente restrita e cara.
Fonte: AAAAI, sobre o teste de IgG para alimentos.
O caminho barato e confiável
O que funciona sem gastar muito é método, não exame:
- Diário de sintomas por duas a quatro semanas, anotando o que comeu, a quantidade, o horário e o sintoma.
- Teste de retirada com orientação, tirando um alimento por vez por período definido.
- Reintrodução, que é a parte que mais gente pula e a que realmente confirma.
- Avaliação profissional antes de cortar grupos inteiros de alimentos, principalmente em crianças, gestantes e idosos.
Sinais que pedem avaliação médica rápida: perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, anemia, vômitos persistentes e falta de ar ou inchaço após comer.
Quando procurar ajuda
Procure atendimento se houver perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, diarreia que não passa, dor forte, febre ou vômitos repetidos. Sinais de alergia, como inchaço nos lábios, placas na pele ou falta de ar depois de comer, pedem atendimento imediato.
O que dizem as entidades de alergia
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), em posicionamento de 2023 sobre a execução indiscriminada de testes alérgicos, afirma que as dosagens de IgG e IgG4 específicas não são recomendadas para o diagnóstico de alergia, porque o resultado positivo reflete o contato com o alimento ou a indução de tolerância. A entidade relata que é muito frequente o especialista receber pacientes em dietas de restrição desnecessárias, muitas vezes a vários alimentos e por anos, e defende que a indicação desses testes passe pelo olhar criterioso de um especialista.
A posição coincide com a da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, para quem IgG contra um alimento indica exposição, e não doença.
Fontes: ASBAI, posicionamento sobre testes alérgicos; AAAAI, teste de IgG para alimentos.
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Fontes
- NIDDK. Lactose Intolerance. https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/lactose-intolerance
- NHS. Food intolerance. https://www.nhs.uk/conditions/food-intolerance/
- American Academy of Allergy, Asthma & Immunology. IgG food test. https://www.aaaai.org/tools-for-the-public/conditions-library/allergies/igg-food-test
- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Posicionamento quanto à execução de testes alérgicos indiscriminadamente. ASBAI, 2023. https://asbai.org.br/wp-content/uploads/2024/04/2023-08-02-POSICIONAMENTO-QUANTO-A-EXECUCAO-DE-TESTES-ALERGICOS-INDISCRIMINADAMENTE.pdf
Perguntas frequentes
Existe exame barato para intolerância?
O diário alimentar é o primeiro passo e não custa nada. Exames específicos, quando necessários, são indicados pelo médico a partir do histórico.
Posso cortar o glúten por conta própria?
Não é recomendado sem avaliação. Cortar antes pode atrapalhar o diagnóstico de doença celíaca.
Intolerância à lactose significa cortar todo leite?
Nem sempre. Segundo o NIDDK, muita gente tolera pequenas quantidades; o ajuste deve ser individual.
Qual a diferença entre alergia e intolerância?
A alergia envolve o sistema imunológico e pode ser grave. A intolerância não envolve imunidade, costuma depender da quantidade e aparece horas depois.
Vale fazer exame de IgG para alimentos?
As entidades de alergia desaconselham. A AAAAI afirma que IgG indica exposição ao alimento, não doença.
Como descobrir sem gastar muito?
Diário de sintomas, retirada de um alimento por vez e reintrodução, de preferência com orientação profissional.