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A amnésia infantil

Quase ninguém lembra de fatos antes dos 3 ou 4 anos. Os cientistas chamam isso de amnésia infantil. O curioso é que bebês e crianças pequenas aprendem e lembram muita coisa; o esquecimento acontece depois.

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O que o estudo acompanhou

Patricia Bauer e Marina Larkina gravaram conversas de crianças de 3 anos com as mães sobre acontecimentos recentes e voltaram a perguntar sobre esses fatos anos depois. Entre 5 e 7 anos, as crianças ainda lembravam boa parte dos episódios. Aos 8 e 9 anos, a lembrança caía bastante. Para as autoras, o esquecimento dos primeiros anos acontece durante a própria infância.

Fonte: Bauer e Larkina, The onset of childhood amnesia in childhood, Memory, 2014.

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Por que esquecemos

As explicações mais citadas envolvem o cérebro em desenvolvimento, que ainda está organizando as áreas ligadas à memória, e a linguagem: sem palavras para contar o que viveu, a criança tem mais dificuldade de guardar a lembrança como história. Conversar sobre o passado com a criança parece ajudar a formar memórias mais duradouras.

O papel do hipocampo

O hipocampo é a região do cérebro essencial para guardar lembranças de acontecimentos. Nos primeiros anos, ele produz novos neurônios em ritmo muito alto. Um estudo publicado na Science, com camundongos, mostrou que essa produção intensa estava ligada ao esquecimento: quando os pesquisadores reduziram a formação de novos neurônios em filhotes de espécies que também esquecem a primeira infância, os animais passaram a reter as memórias por mais tempo.

A hipótese é que os neurônios novos reorganizam os circuitos e dificultam o acesso a lembranças antigas. O estudo foi feito em animais, e ainda não se sabe se o mesmo mecanismo explica a amnésia infantil em pessoas.

Fonte: Akers e colegas, Hippocampal Neurogenesis Regulates Forgetting During Adulthood and Infancy, Science, 2014.

Bebês gravam memórias, sim

Em 2025, pesquisadores da Universidade Yale conseguiram fazer ressonância magnética funcional em bebês acordados, de 4 meses a 2 anos, enquanto viam imagens. Quando o hipocampo ficava mais ativo ao ver uma imagem pela primeira vez, o bebê tendia a olhar mais para ela quando aparecia de novo, um sinal de reconhecimento. O efeito foi mais claro depois de cerca de 1 ano de idade.

O achado sugere que o bebê consegue registrar lembranças, e que o problema da amnésia infantil pode estar mais em recuperar essas memórias depois do que em gravá-las.

Fonte: Yates e colegas, Hippocampal encoding of memories in human infants, Science, 2025.

E as lembranças "de bebê"?

Lembranças muito antigas podem ser reconstruídas a partir de fotos e histórias da família. Veja efeito Mandela e falsas memórias.

Conteúdo informativo. Não substitui orientação médica, financeira ou profissional individualizada.

Leia também: Sonhar com cidade.

Fontes

  1. Bauer PJ, Larkina M. The onset of childhood amnesia in childhood. Memory, 2014. https://doi.org/10.1080/09658211.2013.854806
  2. Akers KG et al. Hippocampal Neurogenesis Regulates Forgetting During Adulthood and Infancy. Science, 2014. https://doi.org/10.1126/science.1248903
  3. Yates TS et al. Hippocampal encoding of memories in human infants. Science, 2025. https://doi.org/10.1126/science.adt7570

Perguntas frequentes

Com que idade começam as lembranças?

Em adultos, as primeiras lembranças costumam vir por volta dos 3 ou 4 anos.

Bebês não guardam nada?

Guardam e aprendem muito, mas essas memórias tendem a se perder ao longo da infância.

Minha lembrança de bebê é verdadeira?

Pode ser reconstruída a partir de fotos e relatos da família.

Se os bebês gravam memórias, por que não lembramos delas?

Ainda não há resposta definitiva. As hipóteses atuais apontam que as lembranças ficam difíceis de acessar à medida que o cérebro se reorganiza nos primeiros anos.

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